A missão, iniciada na quarta-feira (1º), entrou na chamada esfera de influência lunar e deve realizar em breve o primeiro sobrevoo da Lua desde 1972

Foto por NASA / NASA / AFPEsta imagem divulgada pela NASA mostra a espaçonave Orion capturada por uma câmera montada em uma de suas asas do painel solar durante uma inspeção externa de rotina da espaçonave no segundo dia da missão Artemis II, em 3 de abril de 2026. Enquanto os astronautas da Artemis II avançavam em sua missão lunar, a NASA divulgou as primeiras imagens tiradas da espaçonave Orion, incluindo um retrato completo da Terra com seus oceanos azuis profundos e nuvens ondulantes. Após uma série de atividades de alto risco, incluindo uma decolagem dramática e a ignição de um motor que os catapultou em sua trajetória histórica para orbitar a Lua, os quatro astronautas a bordo puderam recuperar o fôlego, mesmo enquanto continuavam a realizar uma variedade de verificações e testes de equipamentos.A nave Orion utilizará a gravidade lunar para ganhar impulso em um sobrevoo que levará a tripulação a uma distância recorde, superando qualquer ponto do espaço alcançado pelo ser humano até hoje.

Os astronautas da missão Artemis II iniciaram nesta segunda-feira (6) a fase final de sua aproximação da Lua, quando alcançaram o ponto de inflexão no qual a gravidade lunar exerce uma atração maior sobre a nave do que a gravidade da Terra.

A nave Orion utilizará a gravidade lunar para ganhar impulso em um sobrevoo que levará a tripulação a uma distância recorde, superando qualquer ponto do espaço alcançado pelo ser humano até hoje.

A missão, iniciada na quarta-feira da semana passada, entrou no que a Nasa denomina esfera de influência lunar às 4h42 GMT (1h42 de Brasília) e em breve realizará o primeiro sobrevoo lunar desde 1972.

Nesta etapa, a missão estará a quase 63.000 quilômetros da Lua e a 374.000 quilômetros da Terra, informou um funcionário da Nasa. A agência espacial americana publicou no domingo uma imagem registrada pela tripulação, na qual a Lua aparece distante e a bacia Oriental visível.

“Esta missão marca a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos”, informou a Nasa. A enorme cratera, que se assemelha a um alvo, já tinha sido fotografada anteriormente por câmeras orbitais.

A tripulação da nave Orion tem os americanos Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen.

“Obrigado a vocês e a toda a equipe em terra por perpetuar o legado da Apollo com a Artemis. Boa viagem e um retorno seguro”, desejou o astronauta do programa Apollo Charles Duke, 90.

O americano é um dos últimos homens que participaram de uma missão na Lua, em 1972. Desde então, nenhum ser humano havia se aproximado do satélite natural.

Planos revisados

A Nasa destacou que a tripulação da Artemis concluiu um teste para garantir que a pilotagem manual funciona e também revisou seu plano de observação científica para identificar e fotogravar diversos acidentes geográficos da superfície lunar.

Os astronautas começaram o domingo com uma refeição que incluiu ovos mexidos e café, informou a Nasa, e acordaram com a música “Pink Pony Club”, sucesso pop de Chappell Roan.

“O moral a bordo é elevado”, disse o comandante Reid Wiseman ao Centro de Controle da Missão em Houston, ao início do dia da tripulação.

Este pai de duas meninas estava especialmente animado, em parte porque teve a oportunidade de falar com as filhas do espaço.

“Estamos aqui em cima, tão longe, e por um momento voltei a me reunir com minha pequena família”, disse, durante coletiva de imprensa ao vivo. “Foi simplesmente o maior momento de toda a minha vida”, acrescentou.

Os astronautas receberam formação em geologia para poder fotografar e descrever os traços lunares, inclusive antigos fluxos de lava e crateras de impacto.

Eles verão a Lua de um ponto de vista único em comparação com as missões Apollo das décadas de 1960 e 1970.

Os voos Apollo sobrevoaram a superfície lunar a cerca de 70 milhas, mas a tripulação da Artemis II estará a pouco mais de 4.000 milhas em sua maior aproximação, o que lhes permitirá ver a superfície completa e circular da Lua, inclusive as regiões próximas dos dois polos.

Nunca visto 

Os astronautas da Artemis II já experimentaram perspectivas totalmente novas. “Ontem à noite, tivemos nossa primeira visão do lado oculto da Lua, e foi absolutamente espetacular”, disse Koch, durante uma entrevista ao vivo do espaço.

A missão faz parte de um plano de longo prazo para retornar de forma sustentável à Lua, com o objetivo de estabelecer uma base permanente que sirva de plataforma para futuras explorações.

Durante o sobrevoo do satélite, “vamos aprender muito sobre a nave espacial”, ressaltou hoje à rede de TV CNN o diretor da Nasa, Jared Isaacman. “É o que mais nos interessa em termos de dados”, acrescentou, ao lembrar que a cápsula Orion ainda não havia transportado nenhuma pessoa.

A Nasa pretende fazer um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.

*AFP


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